Tudo o que está errado com o seu comportamento e o porquê

Disclaimer: I DID NOT write this article. I only translated it to Portuguese, after reading the brilliant book “The Truth — An Uncomfortable Book About Relationships”, by Neil Strauss. Unfortunately, the book hasn’t been translated into Portuguese yet and I’ve been dying to share this content with my closest friends and family, specially with those who do not read English. If you do, please, watch the original content here.

Aviso legal: EU NÃO ESCREVI ESSE TEXTO. Eu apenas traduzi do inglês para o português, depois de ter lido o incrível livro do Neil Strauss “The Truth — An Uncomfortable Book About Relationships”. Infelizmente, o livro ainda não tem tradução para o português. O conteúdo foi tão impactante e transformador para a minha vida que eu queria compartilhar especialmente com a minha família e amigos que não falam inglês. Se você fala, por favor, assista a versão original e/ou compre o livro. Vale a pena demais!

No começo…

Num mundo perfeito…

Seus pais seriam perfeitos. Eles seriam dedicados em tempo integral a cuidar das suas necessidades físicas e psicológicas, sempre tomando as decisões certas, estipulando os limites mais saudáveis, e protegendo você de todos os perigos, enquanto ainda, nesse meio tempo, preparavam você para eventualmente tomar conta de si mesmo.

Mas no mundo real…

Ninguém é perfeito. Nem mesmo os seus pais, nem as pessoas que desempenham esse papel em sua educação. Consequentemente, no meio do caminho, algumas das suas necessidades no processo de desenvolvimento não são atendidas.

E o problema é que…

Essas feridas são conhecidas como traumas de infância. Cada instância ou padrão de trauma pode criar problemas pessoais específicos e desafios de relacionamento — e se essas feridas não são tratadas, você está suscetível a passá-las para a próxima geração. Como esse trauma ocorre bem cedo na vida, isso pode afetar o seu desenvolvimento social, emocional, comportamental, cognitivo e moral.

Nem sempre é evidente ou intencional…

Pode ser uma cicatriz emocional…

Nos seus primeiros anos de vida, você é o centro do universo. Tudo gira ao seu redor. Sendo assim, as feridas podem ser originadas dos seus pais, seja porque eles têm descontrole emocional ou porque se desligam completamente das emoções deles quando estão perto de você. Por exemplo, quando a mãe fica ansiosa enquanto amamenta ou quando o pai chega em casa furioso depois de um dia difícil no trabalho. E ainda quando, naqueles raros momentos em que você passa com o seu padrasto, ele fica depressivo por causa de problemas financeiros. Você absorve essas emoções como uma esponja, muitas vezes erroneamente se culpando ou assumindo responsabilidades por elas. Se você é muito jovem para entender a morte e um dos seus pais adoece e morre, isso também pode ser interpretado como abandono ou como algo que você causou.

Pode também ser físico…

A maioria das pessoas sabe que não é nada legal agredir fisicamente ou mesmo espancar uma criança. Mas aqui vai um exemplo de que isso não é tão óbvio assim. Um procedimento médico — seja uma circuncisão ou os pontos que você teve que tomar depois daquela queda no quintal — pode ser processado do mesmo modo que uma agressão física, se você está experienciando aquilo nos seus primeiros anos de vida. Você pode até mesmo perder a confiança nos seus pais por terem o levado a um local desconhecido (hospital) e por não tê-lo mantido protegido.

Muitas vezes é intelectual…

Depois de alguns anos de vida, você começa a se separar dos seus pais. Nesse período, é dever deles te ajudar a ser uma pessoa independente e confiante para se levantar sozinho e caminhar pelo mundo. Aqui, um conjunto de problemas pode surgir — especialmente quando os seus pais são controladores, frequentemente te criticam, ou simplesmente esperam que você seja perfeito. Outras famílias mantêm regras tão rígidas que qualquer manifestação de individualidade da criança é vista como uma ameaça.

Isso pode tomar conta de toda a sua identidade…

Com um sistema de família disfuncional, cada criança tende a assumir um papel que ajuda a família a sobreviver e, na verdade, afasta essa família dos problemas reais. Com isso, nós temos o reverenciado herói, o encrenqueiro, a ovelha negra, o puxa-saco e o palhaço. Mais tarde na vida, esses papéis (e ordem de nascimento) podem levar a problemas de personalidade, seja o herói crítico perfeccionista, o encrenqueiro nervosinho, a ovelha de baixa autoestima, o puxa-saco sem consciência das próprias necessidades, o palhaço impulsivo e irresponsável. E por aí vai…

Mas não é fácil ver os seus problemas centrais…

Mas se você pode se desligar de você mesmo por um instante, você vai perceber que as coisas que você faz e pensa não simplesmente brotam de lugar nenhum. Aqui estão algumas técnicas e ferramentas que você pode usar para entender melhor como o seu passado pode interferir na sua felicidade, seus relacionamentos e em sua vida atual.

Você pode fazer uma retrospectiva

Talvez você não consiga expressar suas emoções porque seu padrasto uma vez te disse que você precisava ser forte e durão. Você constantemente se sente sozinho e triste como se ninguém se importasse com você? Talvez seja porque durante sua infância e/ou adolescência você era constantemente ignorado. Ou talvez, ainda, você esteja sempre tentando ajudar os outros porque você se sente culpado por nunca ter podido salvar a sua mãe da depressão ou vício.

E pode ser também que você tenha uma dificuldade enorme em admitir que há algo errado com sua família porque seu pai sempre disse que vocês eram imbatíveis. E questionar autoridade dele ou até mesmo criticá-lo seria um pecado.

Você entendeu a ideia, né?

Perdoe-me pelo linguajar…

Essa merda é simplesmente “as histórias que você conta pra si mesmo”.

Exemplos incluem as generalizações que você faz como: “eu sempre faço escolhas ruins”, “se as pessoas vissem quem eu sou de verdade, ninguém ia gostar de mim”, ou ainda contraditoriamente, “ninguém é bom o suficiente pra mim”. Cada um desses julgamentos pode ter sido formado durante a infância, seja porque seus pais sempre apontavam as suas falhas, ou te culpavam pelos seus erros. Seja por pais que o abandonaram ou ainda pais que te colocavam em um pedestal.

Como resultado, você pode passar boa parte da sua vida interpretando mal tudo o que acontece e reunindo evidências para confirmar as conclusões que você fez na infância. Todas as vezes que você se sentir melhor ou pior do que os outros é sinal de que você está alienado em sua própria história.

Examine esse gráfico, por exemplo:

Então se pergunte: na última semana, você apresentou algum dos comportamentos de uma criança ferida ou de um adolescente adaptado? Se a resposta foi sim, você deve ter ficado preso em um desses estágios emocionais e comportamentais ao longo do caminho. E isso pode estar causando esse revertério em sua idade comportamental.

Em qualquer momento em que você reagir excessivamente a alguma coisa — seja se fechando, perdendo as estribeiras, se sentindo desesperançoso, apavorado, desconectado, mal-humorado — é provável que seja porque algo cutucou aquela sua ferida aberta. E isso é o que te leva de volta a uma criança ferida ou ao adolescente adaptado. (Para saber qual, volte ao gráfico e associe suas emoções à idade correspondente).

Note que a criança ferida tende a internalizar imediatamente o que é dito pelos pais/parceiro, já o adolescente adaptado tende a confrontar a tudo e todos.

Porém, nem todo mundo reage da mesma maneira ao mesmo trauma…

Bom, é preciso lembrar que crianças nascem com diferentes predisposições e resiliências.

Se você permanece leal às pessoas que te maltratam, esse é o chamado trauma de ligação.

Se você só sente normal fazendo algo extremamente arriscado, esse é o trauma da excitação.

Se você desenvolveu uma aversão de si mesmo, é possível que você tenha o trauma da vergonha.

Se você encontra maneiras químicas, mentais ou tecnológicas para te entorpecer, esse é o trauma do bloqueio.

E por aí vai. Um padrão de trauma, inúmeras diferentes respostas. A gente apenas deu uma coçadinha na cicatriz. Mas pelo menos você entendeu modelo mental.

Não tem nada a ver com culpa, mas com compreensão

Em resumo, todos nós estamos vivendo a nossa vida adulta rodando um sistema operacional único que levou cerca de 18 anos para ser programado e está cheio de bugs e vírus. Quando a gente junta essas teorias sobre ligações, desenvolvimento de imaturidade, estresse pós-traumático, e sistemas internos familiares, uma rede de conhecimento é criada e nos permite escanear um antivírus em nós mesmos. Desse modo a gente pode identificar nosso comportamento, hábitos, pensamentos, emoções e descobrir de onde eles vieram.

Essa é a parte fácil. A parte mais difícil é botar o vírus em quarentena, reorganizar o nosso “falso-eu” e restaurar o nosso “verdadeiro-eu”. Somente depois que desenvolvemos uma relação honesta, funcional e com compaixão com nós mesmos é que a gente poderá, enfim, experienciar uma relação saudável e amorosa com os outros.

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Oi, Ana!

Journalist. Sustainability, Social Justice & Gender Equality. Becoming Odara daily. Passionate about life, sexuality & wine. Mugs lover.

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